Onze horas da manhã

Paulo Avelino
 avelino@roadnet.com.br
 

O espelho da sala na república das moças refletia Ariano e Mécia, que dançavam lento sobre o felpudo carpete amarelo. Era o namorado. Catarina saíra, Andréa estava no trabalho e depois ia fazer compras com a sobrinha. Gregorio Barrios  no CD com a voz de baixo lamentava:

 "Nadie compriende lo que sofro yo,
canto para olvidar mi dolor,
la perfidia de tu amor"

Uma apologia da morenidade. Os cabelos negros não muito longos de Mécia caíam sobre o ombro dele, um tanto mais alto que ela. Ela se afasta os olhos brilhando e o leva pela mão.

"Y tu,
quien sabe donde andaras
quien sabe que aventuras teras
que lejos estas de mi"

Minutos depois Mécia gemia longo e baixo, deitada na cama, os joelhos tremendo querendo dobrar. Ariano nada ouvia, sua cabeça mergulhada que estava entre as coxas da jovem, confundindo-se com os vastos pelos negros, pressionando-a, fartando-se dos seus sucos.

- "Besa-me, besa-me mucho..." -cantolarava ela, fazendo coro com a música que tocava agora.

"Como se fuera esta noche la ultima vez..."

Com delicado beijinho final, que dá como um choque em Mécia, ele afasta o rosto e se ergue. Ela quase se assusta diante do falo túrgido do namorado, os delicados pelos negros em volta, completamente erguido para ela, querendo-a sem nenhum pudor.

Respiração pesada, o rosto sentindo a maciez aveludada do rosto da jovem, Ariano procurava seu caminho. Entrara devagar, pouco a pouco, sentindo a cada movimento seu uma contração em sua namorada, que ora o apertava como que não querendo largá-lo nunca mais, ora relaxava e se tornava macia como manteiga, ora o movia de leve para uma lado e para o outro. Ele não lhe ouvia os suspiros cada vez mais profundos. Ele a penetrou e deixou-se ficar inteiro dentro dela, parado, palpitante. Sentiu os lábios dela procurando os seus, o beijo profundo e calmo. Dobrando-se, beijou-lhe os bicos dos seios. A jovem Mécia suspirou.

"Por que não paras relógio
não me faças padecer
ela irá para sempre
breve o sol vai nascer"

Mécia o envolvia, o aprisionava, ele sentia as regulares descargas de umidade no interior da moça banhando-o, acariciando-o, em silêncio, regulares. Como era bom estar ali, dentro dela, envolvido por sua maciez e umidade, sentindo-a relaxada. Nem a conhecia a poucos meses atrás e agora tudo o que ele queria era ficar dentro dela, não terminar nunca. Uma vida inteira, aquela moça morena, que há poucos minutos atrás com simplicidade e ternura abrira-lhe as pernas com um colar de túrgidos rubis em meio aos pelos negros, essa moça era dele, era um universo inteiro dele. Era feliz, tinha mais que o maior dos milionários. Sentiu mais uma deliciosa descarga de umidade dentro dela, molhando-o . O bolero lacrimoso o assustou. Não queria que ela fosse embora nunca. Queria-a dele, ali, estocou-a de novo, uma vez, duas, profundamente, mais, inteira, toda. Ela tremeu e apertou-lhe as nádegas.

- Meu Deus - disse ela.

Mécia não era um mar, era mais um labirinto, cheia de caminhos, onde ele se movia à direita e à esquerda, túrgido, entumecido. Por dentro ela era cheia de detalhes, ele ora procurava o mais fundo dentro dela, ora dava-lhe voltas, procurando relaxá-la, ora pressionava-lhe de um lado, ou quase retirava e penetrava de novo de súbito. E a tudo Mécia ou resistia, contraindo-se, ou permitia, úmida, escorregando-o . Sentiu que Mécia não tinha muito controle sobre si, o que acontecia dentro dela, acontecia mais ou menos fora de sua vontade. Sentiu a mão de Mécia imiscuindo-se, procurando-o.

Ela o sopesava e envolvia com a mão os testículos do namorado, sentindo-lhes o divertida o leve peso. Ele se quedou passivo, deixou-a fazer, a mão de fogo. A boca dela procurou-lhe o posterior das orelhas, beijando-o .

Ariano suspirava cada vez mais fundo, e sentia-se com sem forças, derretendo por dentro, e deu um suspiro rouco, do mais fundo de si. Mécia sentiu-lhe a semente cálida, em jatos sucessivos, dentro de si. Era o fim.

Eles se abandonam um ao lado do outro, arfando, a respiração aos poucos ficando mais calma, a atrevida mão dele entretecendo nos pelos dela, brincando com eles, sentindo a entrada de seu corpo, agora úmida e relaxada. Ela se debruça sobre ele e o beija, um beijo lento.